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riscos_e_rabiscos

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Com o Dedo No Trapilho.

 

Amanhã é o meu último dia de "voluntariado" no colégio. E é o último dia a levantar-me com as galinhas, que é como quem diz às 6.30h, para ir abrir o colégio (Iupiiii!). Acho que vou ter saudades. Isto é, vou ter saudades dos momentos de calmaria e de correria, da coordenação do trabalho entre o trio odemira (entenda-se eu, a P. e a C.). para que tudo corresse bem.

 

Depois entro em férias. Tenho direito nove dias de férias. Acho eu. Férias... eh! Trabalho em casa, para ser mais correcta. Tenho de ultimar as coisas para iniciar o ano lectivo. E espero que o director não tenha alguma ideia brilhante para eu ter de andar a saltitar entre o colégio e casa.

 

Ando cansada e cheia de sono. Não me consigo deitar muito cedo e depois dá nisto. Hoje, então, foi o cúmulo: às 4.30h da manhã acordei a espirrar e já não consegui dormir mais. Humpf! Entretive-me a gastar um pacote de lenços de papel.

 

Só vim aqui ver como páram as modas e dizer que ainda mexo, com dificuldade mas mexo!

Ultimamente mexo com desembaraço os dedos. Desde que ataquei o trapilho, não quero outra coisa. E logo eu que sou uma moçoila toda prendada em muitas vertentes dos lazeres femininos...! Prometo mostrar depois o produto final que sair destas mãos de fada.

 

Ah, é verdade, sabem do que estou a falar? (Menina K. não vale revelar!)

 

 

O “Plano”

 

 

Ouvi por aí um burburinho a dizer que a violência não tinha aumentado em Portugal, que o pessoal anda a ver é muitos filmes.
 
E eu até concordo. Começando pela minha aventura matinal de sexta-feira… Digam lá que aquilo não foi uma cena de filme? Eu até podia ser um Anjo de Charlie disfarçado de teacher. Imaginem lá eu a fazer piruetas no ar para me safar a um possível atropelamento ou a um choque de bólides!!! E ainda mais… desatar a correr atrás do carro do outro para obrigar a cumprir as regras do código da estrada… Isso é que era! Uau! Tinha sido um sucesso de bilheteira, quer dizer, um falanço da vizinhança em geral.
 
Mas isto não fica por aqui. Motivada e inspirada pela não-violência existente no nosso belo país à beira-mar plantado, achei que deveria fazer algo para animar as hostes. É que esta vidinha anda mesmo monótona, não acontece nada…
 
Ainda ontem vinha do metro uma senhora a bradar aos sete ventos, toda radiante, que pensava que ia ser assaltada por um sujeito mas que afinal não… O que tinha sentido nas suas costas não era a ponta de uma arma mas sim a ponta da mala do senhor. Depois, a pobre mulherzita, caiu na realidade e viu que tinha sido enganada. Isto não se faz… uma pessoa à espera de uma coisa e depois sai outra!
 
Mas como eu estava a dizer, decidi fazer algo para tentar fazer sair o pessoal deste marasmo. Fui ao videoclube, aluguei todos os filmes possíveis e imaginários relacionados com aquilo que tinha em mente e fui abastecer-me de pipocas, batatas fritas e outras coisas de roer. Mas não digam a ninguém! Shiu!
 
Passei todo o fim-de-semana nisto. E cada vez que via um filme mais claro e delineado ficava na minha mente “o plano”.
Pensei, reflecti, tracejei, rabisquei e, por fim. Achei que aquilo tinha pernas para andar.
 
Fui comprar uma peruca loira, uns óculos escuros maiores que a minha cara, uma gabardine creme e um baton vermelho. Sim, porque uma gaja tem de estar bem em qualquer ocasião. Ensaiei “o plano” em casa até estar satisfeita como o tom e convicção da voz.
 
Mal saio à rua e entro no carro, sou inundada pela rádio de várias notícias de assaltos aqui e acolá. Fiquei para morrer. Mas afinal o que se passa aqui? Esteve toda a gente a fazer o mesmo que eu no fim-de-semana? Ou será que me roubaram “o plano”? Desconfio é que ando a ser enganada quando me dizem que não se passa nada, e que não há violência e tal e coiso… então em que ficamos?!
 

Faltou Um Bocadinho Assim...

Sete e meia da manhã.

Local de trabalho city.

Saio da camioneta, espero que ela avance e aproximo-me da passadeira.

Nunca avanço semautorização dos condutores.

Loira dá pára o seu bólide impecável e dá passagem.

Avanço até ao meio da estrada com cautela.

A estrada é muito movimentada e perigosa.

O condutor do lado oposto abranda o seu veículo parame dar passagem também.

Conforme dou um passo em frente,vejo uma carrinha a vir a toda velocidade.

Imaginei logo ali a cena toda.

Um choque traseiro brutal e eu a ser atropelada na passadeira ou a levar com os carros em cima.

O africano que vinha na carrinha em alta velocidade continuou impassível como se nada se tivesse passado.

Comose não tivesse prestes a haver um brutal acidente, como se ultrapassar pela direita não fosse uma infracção. como se não fosse obrigado a dar passagem, como se a estrada tivesse duas faixas naquele lado.

Éo que dá cartas compradas.

Estas cenas típicas de filme de acção a esta hora da manhã é dose, acelera a adrenalina e activa o coração! 

Digam lá que a minha vida não é uma animação?

E não, ainda não foi desta que me passaram a ferro!

 

Anotações De Um Dia Vulgar

 

- Iniciei o meu dia com uma alvorada. Só na paragem. Uma senhora aproxima-se e deposita a sacalhada em cima do banco. Disfarça a sua presença e vai atrás do mupi da paragem. Duas granadas fortes foram largadas. Foram ouvidas em toda a redondeza. Regresso à parte da frente mas não acompanhada de cheirete. Ufa!

 

- Inundação no colégio. A Maria-mau-feitio (que agora me adora e não me larga), resolveu fazer um “lago” amarelinho no local onde estava. Achou que o ambiente estava muito… err… seco?! Ala tudo para o banho! Alguém explica porque temos necessidades primárias quando estamos a brincar?

 

- Maria-mau-feitio, take dois: não sei o que andam estas pitas minorcas a fazer que andam a cair para o lado de sono. A Maria, assim que acaba de almoçar, encosta a cabeça para o lado e começa a roncar. Mas o mais giro foi mesmo a andar de baloiço. Plim, plão, cabeça de cão, e a Maria a dormir no baloiço, ia caindo ao chão!

Nunca tinha visto ninguém a dormir a andar de baloiço… hummm!

 

- Fujam todos… eles andam aí. Pois é, quem é que falou que queria ter animais de estimação? E querem grandes ou pequenos? Pequenos tenho muitos para dar…

A M. apareceu hoje com um penteado novo. Gabei-lhe a “obra de arte” mas só depois entendi tal esmero. A miúda trazia bicharocos na cabeça, vulgarmente conhecidos como piolhos (argh, que comichão!), e ninguém me avisou!!! Pânico geral, e as miúdas em fila para eu lhes atar os cabelos. E eu enfiei uma caneta no meu e fiz um belo penteado. Xô piolhos indesejáveis!

 

Para terminar o dia, estou com uma bela enxaqueca… Se eu apanho a gaja, trinco-a toda!

 

Há Um Ano atrás.

Faz hoje um ano que fiz a minha cirurgia, lembram-se? A esta hora ainda estava no recobro, com uma moka terrível. Daquelas que nem se consegue abrir os olhos.

 
A esta altura ainda andavam de volta de mim a perguntar se me sentia bem – tinha-me sentido bastante maldisposta – e se já conseguia mexer as pernas. Eu não sentia nada mas que via umas coisas em forma de pernas a levantar sempre que o meu cérebro mandava, via!
 
Em jeito de balanço, posso dizer que fiquei com uma cratera, agora já fechada, de fazer inveja ao Grand Canyon. E que isto não ficou a 100%. Desapareceu com a maleita mas fiquei com um efeito colateral de que tinha sido avisada, embora a um nível muito mínimo.
 
Desta já me safei. Esperemos que para sempre! Lembram-se do medo que tinha?
 
 

 

Antídoto Precisa-se.

 

 

Precisa-se urgentemente de antídoto para vizinhos invasores de espaços alheios, altamente irritativos e sob o efeito de estupefacientes.

 

Uma das coisas mais insuportáveis que existem são pessoas que não percebem onde termina a sua liberdade e começa a dos outros. É uma questão de limites e respeito.

 

Quando um gajo se encontra sozinho em casa – onde anda a sua gaja que desapareceu há já algum tempo? – durante um fim-de-semana prolongado e não tem nada para fazer, é claro que só pode dar asneira.

Ora vejamos: é sobejamente sabido que um gajo sem uma gaja anda sempre à deriva (não reclamem pois sabem que é verdade!). Como tal, só faz disparates. É o que se passa neste caso concreto.

 

Comecemos pelo princípio. Gajo que está sozinho e desocupado, ou não se dá por ele ou então dá-se até demais.

Acredito que para enxotar a solidão, o gajo em causa, vá buscar companhia aos “cigarrinhos do riso”, aos fuminhos.

Mas depois fazer figuras tristes…

 

Num dos dias do fim-de-semana, decidiu dar uma volta ao quarteirão para mudar de ares e refrescar as ideias.

Foi uma alegria vê-lo subir a rua a “desviar-se” de obstáculos imaginários (que é como quem diz aos ziguezagues) e a contemplar maravilhado o azul do céu. Só não sei se acertou com a porta do prédio. Não o ouvi entrar…

 

No dia seguinte é que foi pior. O entusiasmo da moka foi tanto, que colocou a música mais alta do que se estivéssemos na discoteca. Uma coisa completamente surreal. Meus ricos tímpanos, meu rico cérebro!

Para completar o cenário, começou a cantar (eu diria zurrar) para nos mostrar os seus dotes vocais que são perfeitamente dispensáveis.

 

Não sei onde vai buscar a “energia”. Para terem uma ideia eu poderia caracterizar o gajo comparando-o a uma folha de papel: branco e fino, que se sustém de pé devido ao vento que sopra contrário.

 

O material responsável pela moka deve ser daqueles mesmo bom. E nós a ter que gramar isto, sem alternativa… Já devemos ter um belo quinhão no céu!

 

No Dia em Que a Rainha Fez anos

 

Digo já de chofre que a rainha sou eu! Claro. E este post é sobre a minha pessoa, vulgarmente conhecida por Pessoinha.

 

Como todos sabem - pelo menos têm obrigação disso - fiz aninhos a semana passada. Foi a meio da semana, Pessoinha a dar no duro e amor ausente. Remediou-se a coisa fazendo um lanche para os mais íntimos no fim de semana.

Portanto, faz hoje uma semana que fiz a festa de anos a que tinha direito.

 

Gosto sempre de fazer as minhas iguarias, por isso, meti mãos à obra na cozinha (entenda-se mãos nas tigelas, colheres de pau e formas) e começei a construir obras de arte gastronómicas.

Fiz um bolo de maçã e canela, duas quiches e experimentei uma inovação.

Pela primeira vez na vida, fiz pão de queijo e só vos digo uma coisa... fiquei tão orgulhosa deles!!!

Ando até um pouco mais insuflada devido ao orgulho que sinto por ter feito tais delícias. Saborosos, delicados e atraentes.

 

Recebi muitas prendinhas (dois livros, iupiiii!) e tive as minhas duas miudinhas aqui comigo. Foi uma brincadeira pegada com a L. e a B. Parecíamos três crianças. Ou se calhar até éramos...

A noite terminou em amena cavaqueira com as minhas amigas, e são estes momentos que me sabem tão bem e me fazem tanta falta.

 

E impressionante como o tempo voa... Parece que ainda ontem fiz anos, no entanto já passou uma semana. estou a ficar velha...

 

 

 

Ai...!

Não é justo! Onde está o livro de reclamações que eu quero reclamar!!!

 

Anda esta Pessoinha a levantar-se todos os dias às 6.30h da manhã para ir trabalhar e a paga que tem é estar doente?! Não pode ser!

 

Já não basta o sacrifício de ter de madrugar e congelar na paragem do autocarro, sozinha e abandonada às sevícias do clima, como agora ainda estar cheia de febre?

 

Ai estou tão doentinha! Vou fazer uma pausasinha para tomar um comprimido e me meter na cama... A ver se recebo uns miminhos para isto passar mais depressa. Até logo!

 

 

 

Batalha Contra o Tempo.

 

 

Hoje acordei com o inverno dentro de mim.

A pele arrepia-se do frio gélido e cortante que me envolve em seus braços.

Do nariz caiem chuvas tropicais, cheias de intensidade e vigor mas de curta duração.

A respiração range como uma porta centenária cujo peso dos anos a faz penar qualquer movimento que faz.

O clima insurge-se contra o meu organimo, travando como que uma batalha pessoal violenta.

Mas o tempo é mais poderoso. Recorre às suas armas letais - o vento, a chuva, o frio, o calor e o sol - para me infligir golpes sem misericóridia. tal como o faz aos seus inimigos que vai derrotando e deixando pelo caminho sem qualquer pejo ou piedade.

Nada receio mais nesta batalha do que o envio de armas biológicas.

Ergui barreiras fortes e intransponíveis mas os enviados do tempo, cognominados "virus" e "bactérias", revestem-se de argúcia e perspicácia para superar todos os obstáculos que se lhe opuserem.

Imploro ao meu organismo que não se deixe derrotar pelo tão vil guerreiro do tempo intitulado Sir Constipação.

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